05.05.2011 - 16:35 Por Lusa
O Ministério Público (MP) deduziu acusação contra a médica e contra a técnica de audiologia envolvidas na troca de medicamentos que a 17 de Junho de 2010 afectou duas crianças no hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada.
O caso remonta a 17 de Junho de 2010, quando duas crianças foram afectadas por uma troca de medicamentos (Fábio Teixeira)
De acordo com Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) foram imputados dois crimes às arguidas: o crime de ofensa à integridade física por negligência, que pode, dependendo da gravidade da situação, ser punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias; e o crime de ofensa à integridade física grave, punível com pena de prisão de 2 a 10 anos.
A PGDL informou que o conselho de administração do HGO, as duas arguidas e os pais das crianças não chegaram a acordo sobre a indemnização e que, nesse sentido, “a possibilidade de aplicação da suspensão provisória do processo [saiu] gorada”.
“O MP deduziu acusação contra a médica que administrou o medicamento e [contra] a técnica que preparou a mesa de trabalho para os exames auditivos”, lê-se em nota publicada hoje no site da PGDL.
A mesma nota informa que “foi proferido despacho de arquivamento relativamente a um terceiro arguido, enfermeiro do serviço de Otorrinolaringologia, piso onde os factos ocorreram”,
Contactado pela agência Lusa, o conselho de administração do hospital afirmou que não se pronuncia sobre processos em curso.
O caso remonta a 17 de Junho de 2010, quando duas crianças de três anos e de 18 meses foram afectadas por uma troca de medicamentos enquanto realizavam um exame de diagnóstico no serviço de Otorrinolaringologia do HGO. O acidente provocou queimaduras nos intestinos das duas crianças e também na traqueia e no esófago de uma delas.
Na sequência do acidente, o hospital instaurou um inquérito para apurar responsabilidades.
A 12 de Outubro do ano passado, em conferência de imprensa, a directora clínica do HGO, Ana França, anunciou que a médica e a técnica de audiologia envolvidas na troca de medicamentos seriam punidas com penas de repreensão escrita, que ficariam registadas no cadastro profissional de ambas.
A 28 de Janeiro deste ano o MP anunciou que constituíra e interrogara três arguidos neste caso.
Nesse dia, fonte do gabinete de relações públicas do HGO disse à Lusa que se tinha confirmado, na sequência de um exame, “e como já se previa, que o incidente não provocou danos irreversíveis nas crianças”.

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