terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Erros e negligência médica - Aliviar o peso da prova em tribunal

12 Dezembro 2011. Jornal de Negócios  Online

A difícil tarefa de demonstrar a falha cabe ao doente. Os consumidores exigem um regime que inverta o ónus da prova e evite perseguições aos profissionais de saúde.

Na edição de outubro de 2011, a "Teste Saúde" publicou os resultados de um inquérito sobre o risco de erros médicos com consequências para a saúde. Mais de 60% dos inquiridos declararam estar preocupados com a hipótese de serem vítimas de má prática. Na opinião de um quinto, o próprio ou um familiar foi vítima de erro ou negligência nos últimos 10 anos. Os erros e a negligência dos profissionais de saúde são um tema muito debatido nas últimas décadas. Os portugueses abandonaram a ideia de que os médicos são infalíveis e os acidentes inevitáveis. Por vezes, caem até no extremo oposto e procuram um culpado sempre que uma intervenção corre mal. 

Mas a medicina não é uma ciência exata. Além disso, há doenças sem cura e episódios imprevisíveis. Sintomas, tratamentos, reações ou alergias: os fatores podem divergir consoante o doente. Isso não significa que os profissionais estejam livres de punição quando descuram as boas práticas. As decisões dos tribunais a condenar médicos são mais frequentes. Os valores das indemnizações também já se mostram mais elevados, mas ainda ficam longe dos atribuídos noutros países. 

Resultados não garantidos
Erro e negligência não são sinónimos. O primeiro acontece apesar de o profissional agir com todos os cuidados exigidos. A segunda implica violação do dever de zelo ou das regras da atividade. O erro nem sempre é punido, ao passo que a negligência justifica censura e, caso provoque danos, uma reparação.  Diversos fatores influenciam o resultado de uma intervenção: material utilizado, condições de trabalho, métodos escolhidos, riscos, urgência, probabilidade de cura, experiência do médico, informação sobre o doente, número de intervenientes no ato, reação do paciente, entre outros. Daí não ser possível garantir os resultados. Os profissionais de saúde têm sobretudo uma obrigação de meios e não de resultados. Devem fazer tudo ao seu alcance, segundo os seus conhecimentos e com os recursos ao seu dispor, para que isso aconteça. Como referiu o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em 2002, "fora das chamadas prestações rotineiras, o médico obriga-se apenas a tratar o paciente e não a curá-lo". O profissional só responde pelo erro se tiver agido de forma negligente, imprudente ou com imperícia. Não pode ser responsabilizado pelos poucos conhecimentos da medicina em determinada época, deficientes condições de trabalho, omissão de informações pelo doente ou fatores que não possa controlar. 

Decisão não é matemática 
Analisar se determinado ato médico foi adequado às circunstâncias ou violou regras técnicas e de prudência não é fácil. Não se trata de um cálculo matemático. Um mau resultado nem sempre traduz um diagnóstico ou tratamento deficiente. Nas palavras do STJ, "ter o médico agido culposamente significa ter agido de tal forma que a sua conduta deva ser censurada e reprovada; isto é, poder determinar-se que, perante as circunstâncias concretas de cada caso, o médico devia e podia ter atuado de modo diferente" (sentença de 2001). Os juízes decidem face ao que é demonstrado. A prova é feita, entre outros meios, com documentos, depoimentos de testemunhas ou pareceres de peritos. O tribunal pode concluir que, de acordo com os padrões do profissional comum, competente, prudente e sensato, aquele não agiu com o cuidado, diligência e cautela exigidos e o seu comportamento é censurável. Também pode entender que atuou de forma negligente, sem prever as consequências do seu ato. Numa decisão de julho de 2010, o STJ considerou que "o doente tem de provar que um certo diagnóstico, tratamento ou intervenção foi omitido e conduziu ao dano, sendo certo que se outro ato médico tivesse sido (ou não tivesse sido) praticado, teria levado à cura, atenuado a doença, evitado o seu agravamento ou mesmo a morte, consoante o caso". Mas também há decisões judiciais a rejeitar que a prova deva ser feita apenas pelo doente, que não passa de um leigo, com difícil acesso aos registos médicos: "Revela-se muito pesado, tanto mais que o recurso a peritos é oneroso e nem sempre conclusivo", defendeu o STJ em outubro de 2009. 

No cálculo da indemnização, há tendência para valorizar os danos patrimoniais. Se for um somatório de despesas, basta contabilizá-las. Quanto ao que o doente deixa de ganhar por ficar de baixa, é feito um cálculo hipotético do que ganharia (por exemplo, rendimentos de trabalho). No geral, a estimativa é feita por baixo, mas a compensação atinge valores superiores aos que a família receberia se o doente morresse. Os valores de indemnização por morte e pelo sofrimento ainda se encontram muito abaixo do que seria justo. Por exemplo, num caso decidido em primeira instância no ano de 2005, um hospital foi condenado a indemnizar uma criança em 330 mil euros, dos quais 280 mil euros respeitavam ao que deixaria de ganhar na sua vida profissional. Como faleceu antes de o processo terminar, o tribunal de recurso condenou o hospital a pagar aos pais apenas 35 mil euros. 

Profissional de saúde castigado 
Os casos mais graves são aqueles em que a conduta do profissional reflete a prática de um crime. Por exemplo, se o doente morrer, pode considerar-se que houve homicídio por negligência, para o qual a lei prevê prisão até 3 anos ou multa. Se a negligência for grosseira, a pena pode chegar aos 5 anos. No caso de ocorrerem só danos corporais, podemos estar perante uma ofensa à integridade física por negligência, que resulta em prisão até um ano ou multa. Mas existem crimes específicos da classe médica. Se o médico não atuar de acordo com os conhecimentos mais recentes e colocar em perigo a vida, saúde ou integridade do doente, sujeita-se a prisão até 2 anos ou multa. 

Os tratamentos não autorizados pelo doente ou representante podem significar prisão até 3 anos ou multa, exceto se o consentimento não puder ser dado ou, para obtê-lo, seja necessário adiar o tratamento e, com isso, fique em perigo a vida ou saúde do doente. O profissional também está sujeito à responsabilidade disciplinar. Para exercer, é obrigado a inscrever-se na ordem profissional (médicos, enfermeiros, etc.). Ao fazê-lo, fica abrangido por regras de natureza técnica, ética e deontológica, cuja violação pode implicar um processo disciplinar da ordem. O castigo vai do arquivamento à advertência ou, em casos graves, à expulsão. 

Hospital processado 
Muitas decisões judiciais dizem respeito ao serviço público e ao regime de responsabilidade do Estado e das pessoas coletivas públicas, como os hospitais. Se os atos que conduziram aos danos forem praticados com culpa leve (sem consciência), só podem ser responsabilizadas as entidades para as quais os profissionais trabalham. A responsabilidade continua a ser apenas dos organismos face a atos praticados com culpa grave (grosseira). Mas aqueles podem depois exigir aos funcionários uma compensação pelas indemnizações pagas. Considera-se que a responsabilidade é das entidades e funcionários se houver a intenção de provocar o dano, o que será muito raro. O funcionário só é responsável em exclusivo se exceder os limites das suas funções, o que também é pouco frequente. Neste caso, pode ainda sofrer sanções disciplinares da parte da ordem profissional e da entidade patronal. Conhecer estas diferenças é importante, sobretudo no momento de propor as ações em tribunal. Para não haver risco de fracasso logo de início, deve ser processado também o estabelecimento e não apenas o profissional. 

Evitar que seja o doente a provar 
Algumas vozes defendem que a saúde é uma atividade de risco, a que deve ser aplicado um regime de responsabilidade objetiva. No entanto, as decisões dos tribunais não vão no mesmo sentido. Neste tipo de regime, o doente recebe uma indemnização sempre que sofre um dano, independentemente de o profissional ter culpa. Médicos, enfermeiros ou outros devem contratar seguros de responsabilidade profissional. A Ordem dos Médicos proporciona aos associados uma destas apólices, mas com capitais muito baixos, que não protegem devidamente os doentes nem tão-pouco os profissionais. A DECO entende que o regime da responsabilidade objetiva salvaguarda os direitos dos doentes, porque permite o pagamento de indemnizações quando o ato médico provoca danos. Ao provar-se a relação entre ambos, não é necessário apurar as falhas dos profissionais. Em alguns países (por exemplo, em França), os casos não são decididos pelo tribunal, mas por uma comissão especial, que não procura culpados. Analisa rapidamente se há ou não direito a compensação e qual o montante a atribuir ao doente.

Decisões dos juízes
Indemnizações cada vez mais elevadas

Um jovem dirigiu-se ao hospital, devido a dores e a um inchaço num testículo. Foi feita uma análise à urina, que não revelou infeção. O médico receitou medicamentos e aconselhou a visita a um urologista se não houvesse melhoras. Como os sintomas persistiram, 4 dias depois consultou o especialista. Foi operado dias mais tarde e o testículo teve de ser removido. Face ao sofrimento, processou o primeiro médico e pediu uma indemnização. Entendia que, se o médico tivesse feito um diagnóstico correto, talvez não tivesse perdido o testículo. Mas o tribunal não lhe deu razão. Considerou que o médico atuou com diligência, mostrou cuidado com o seu estado de saúde e não errou o diagnóstico. Teve até a preocupação de remetê-lo para um especialista. 
Supremo Tribunal de Justiça, maio de 2011 

Depois de exames à próstata, um doente de 59 anos mostrou-os ao urologista. O médico colocou a hipótese de cancro. Mas também admitia que se tratasse apenas de uma inflamação na próstata. Mandou realizar uma biopsia para dissipar as dúvidas. O exame foi analisado por um especialista, que confirmou as piores suspeitas. O doente foi operado e, após a intervenção, passou a sofrer de incontinência urinária e disfunção erétil. Mais tarde, mostrou o resultado dos tecidos extraídos na biopsia a vários médicos, que disseram não haver vestígios de cancro. Percebendo que todo o sofrimento tinha sido desnecessário, processou os responsáveis pelo diagnóstico. Estes foram condenados a pagar cerca de 225 mil euros. 
Supremo Tribunal de Justiça, março de 2008

Uma jovem de 21 anos recorreu a um cirurgião plástico para uma lipoaspiração às coxas. A anestesia local provocou-lhe uma paragem cardiorrespiratória. Os médicos tentaram reanimá-la, mas sem sucesso. Chamaram o INEM, que conseguiu recuperar a pulsação e a tensão e a transportou para o hospital, onde faleceu 3 dias depois. Os pais processaram os médicos. Mas, segundo o tribunal, não ficou provado que violaram as regras nem que a morte resultou da sua ação. Ainda assim, dois dos cinco juízes votaram vencidos. Defendiam que deveriam ser os médicos a provar que tinham aplicado a anestesia na dose certa e não os pais, sem conhecimentos técnicos para tal, a demonstrar o contrário. 
Supremo Tribunal de Justiça, outubro de 2009

Um jovem de 18 anos deu entrada na urgência do hospital. Foi-lhe diagnosticada uma apendicite aguda e logo realizada a cirurgia. Não recebeu anestesia geral, mas epidural, pois tinha as amígdalas um pouco inflamadas. Devido à anestesia, ficou meses internado e passou a sofrer de paralisia nas pernas e incontinência urinária. Foi sujeito a tratamentos intensos, fisioterapia e treinos de ginásio. Conseguiu passar a deslocar-se com canadianas, mas ficou com incapacidade parcial permanente de 80 por cento. Provou-se que a inflamação na garganta não bastava para rejeitar a anestesia geral e foram detetadas falhas na aplicação da epidural. O hospital teve de pagar €430 mil e assegurar tratamentos, fisioterapia e material ortopédico até ao fim da vida. 
Supremo Tribunal Administrativo, julho de 2009


Consumidores exigem
Regime de responsabilidade objetiva

• Provar que um mau resultado foi provocado pela conduta censurável do médico não é fácil. Os juízes não são unânimes quanto ao modo de apreciar a prova. Tem de ser o doente a demonstrar o erro. Os consumidores exigem um regime de responsabilidade objetiva. 
• Trata-se de uma reivindicação antiga da DECO, que permite uma inversão do ónus da prova. Devem ser os profissionais de saúde a demonstrar que atuaram segundo os mais recentes conhecimentos da medicina. 
• A responsabilidade objetiva levaria à contratação de seguros de responsabilidade civil com capitais adequados, o que poderia evitar o recurso aos tribunais. Mas, mesmo pela via judicial, o facto de a responsabilidade ser transferida para as seguradoras permitiria maior proteção aos doentes.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Como prevenir erros médicos

O seu papel, enquanto doente, é fundamental. Saiba o que fazer para minimizar riscos




Texto: Rita Miguel com José Aranda da Silva (ex-bastonário da Ordem dos Farmacêuticos e docente universitário) e José Fragata (cirurgião cardiotoráxico e Diretor do Serviço de Cirurgia Cardiotoráxica do Hospital de Santa Maria). A responsabilidade editorial desta informação é da revista Prevenir


Erro médico. A expressão é popular, mas também equívoca. «Os erros ocorrem no sistema de saúde, por vezes são responsabilidade dos médicos, outras do sistema, outras de elementos do pessoal que não os médicos», sublinha José Fragata.

«Por isso, o mais correto é falarmos em erros na saúde», refere ainda este especialista, autor do livro «O Erro em Medicina». 

Mas as responsabilidades são também partilhadas pelo doente. Não só existem várias medidas que pode tomar para assegurar a qualidade dos cuidados que lhe são prestados, como fazê-lo é um dos seus principais deveres, enquanto paciente. «A bola da segurança está também do lado dos doentes», salienta José Fragata, autor do primeiro livro publicado em Portugal sobre esta temática, em 2004. 

«É essencial que os médicos tenham noção de que não são infalíveis, que estejam alerta e tenham uma atitude proativa», da mesma forma que «os doentes devem ter uma atitude atenta e inquisitiva, colocando perguntas». Isto sem esquecer que também os dados que fornecem (ou omitem) aos profissionais de saúde vão interferir na escolha e curso do tratamento.

Doente informado, paciente empenhado

Segundo a Agency for Healthcare Research and Quality, departamento do governo norte-americano, «pacientes pouco envolvidos e informados têm menor probabilidade de aceitar o tratamento do médico e de fazer o que é necessário para que o funcione». Desta forma, «uma boa comunicação entre o doente e o profissional de saúde é fundamental para obter cuidados de enfermagem, farmacêuticos ou médicos eficientes», sublinha o ex-bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, José Aranda da Silva, no livro «Os meus medicamentos».

Erros e complicações

Na origem dos erros na saúde interagem componentes individuais, de sistema e/ou de ambiente. Por exemplo, «se num departamento de urgência entram,de repente, 100 doentes isso cria um ambiente mais propício a erros», exemplifica José Fragata.

Para este médico, o erro é «uma falha não intencional de realização de uma sequência de atividades físicas ou mentais previamente planeadas e que, desta forma, falham em atingir o resultado esperado». 

Assim, distingue-se dos casos de violação de regras (como a negligência médica) e «pode ocorrer sem consequências negativas para os doentes». Na verdade, apenas uma minoria dos erros resulta em danos ou outros eventos adversos. Em cada 100 internamentos hospitalares existem dez erros. Desses, 70 por cento não resulta em eventos adversos, em 25 por cento pode haver complicações transitórias e em cinco por cento há complicações graves.

Áreas críticas

Os erros podem ocorrer em qualquer setor, dos procedimentos simples aos mais complexos. A medicação «corresponde a, pelo menos, um terço de todos os eventos adversos», afirma José  Fragata. Da prescrição, à dispensa do medicamento, à administração, são muitas as oportunidades  para que algo falhe, pelo que o papel proativo do doente se reveste de especial importância», destaca José Aranda da Silva.

«Conte com o seu médico como fonte primária de informação e tenha em conta que, «quando o farmacêutico lhe dispensa os medicamentos, tem uma segunda oportunidade para esclarecer a  informação ou fazer novas perguntas», sublinha ainda este especialista.

O que deve fazer nas consultas

Uma vez por ano, leve todos os medicamentos que está a tomar para a consulta. Segundo José Aranda da Silva, «muitos alimentos e produtos farmacêuticos que não são considerados medicamentos,  como vitaminas e nutrientes, podem diminuir a eficácia dos medicamentos e, em alguns casos, potenciar os efeitos». 

«Conferir com o médico se aquilo que vão levar de novo não colide com aquilo que já fazem chama-se reconciliação terapêutica e é um aspeto fundamental para os doentes», diz José Fragata.

Informe o médico sobre as alergias e reações alérgicas que já teve. Estes dados são indispensáveis para evitar que lhe sejam prescritos medicamentos prejudiciais, já que a utilização de um medicamento a que é alérgico pode desencadear um choque anafilático que, em último caso, poderá ser fatal.

Descubra como os fármacos prescritos a podem mesmo ajudar. «Os doentes portugueses estão sobremedicados, nomeadamente em relação a antidepressivos eansiolíticos. É culpa dos doentes, dos médicos e uma questão de cultura. É mais fácil medicar um doente do que ouvir meia hora de conversa», conta José Fragata. Sobretudo se está a tomar vários medicamentos, pergunte ao médico se são todos são necessários, as alternativas existentes e quais os custos e benefícios de cada uma.

Certifique-se de que percebe a letra e a linguagem do médico. Esta tarefa está agora facilitada pela prescrição eletrónica. A transferência automática de dados «diminui erros de transcrição e permite um melhor tratamento dos dados por parte do Serviço Nacional de Saúde», refere José Aranda da Silva. Se não entender algo que o seu médico lhe diz, pergunte. «É essencial que os médicos adequem a sua linguagem ao entendimento dos pacientes», defende José Fragata.

Esclareça os resultados das análises e exames. Mais importante que ler os relatórios quando chegam às suas mãos, é pedir ao médico que os interprete. «Os doentes têm todo o direito de ler os relatórios, mas é uma perda de tempo, só se confundem. Obtenha os medicamentos sempre na mesma farmácia. Desta forma, poderá «usufruir dos melhores serviços de uma farmácia», considera José Aranda da Silva.

«O farmacêutico deve ser informado sobre a sua história atual de saúde e da medicação», refere este especialista. Se tiver que visitar uma farmácia nova, «é importante informar o farmacêutico, tão exatamente quanto possível, sobre a sua história clínica ou fornecer-lhe uma cópia da sua medicação», acrescenta ainda.

Assegure-se de que o medicamento que está a comprar é o receitado. Segundo a Agency for  Healthcare Research and Quality, um estudo do Massachusetts College of Pharmacy apurou que 88 por cento dos erros médicos envolvem a toma do medicamento errado ou na dose errada. Uma simples pergunta pode impedir estes erros.

 Confira o significado das indicações do rótulo. Por exemplo, saiba se «quatro doses diárias» são tomas de seis em seis horas ou em determinadas alturas do dia. Pergunte quanto tempo demora a fazer efeito, o que fazer caso se esquecer de tomar, como armazenar o medicamento e esclareça todas as dúvidas que ainda tiver.

 Informe-se sobre a melhor forma de dosear os medicamentos. No caso dos medicamentos líquidos, uma colher de chá nem sempre é uma medida fiável, já que os tamanhos podem variar. Uma  alternativa possível é usar uma seringa para medir a dose certa. Saiba também se partir ou esmagar os comprimidos ou cápsulas afetará a ação do medicamento. 

Aconselhe-se sobre o transporte dos medicamentos. Se precisar de retirar os medicamentos do recipiente de origem, peça conselho ao farmacêutico sobre o recipiente a usar. «O uso de caixas de medicamentos pode causar alguns problemas, tais como comprimidos partidos ou lascados, troca de um medicamento por outro e interações entre o medicamento e o metal das caixas», alerta José Aranda da Silva no seu livro.

O que deve fazer no hospital

Se possível, escolha um hospital com vasta experiência na cirurgia de que necessita. Quanto maior a experiência do corpo clínico, maior a probabilidade de obter bons resultados. Pode tentar pesquisar e aconselhar-se junto de diversos profissionais de saúde antes de tomar uma decisão. A escolha de um profissional e de uma unidade de saúde será sempre mais fácil no setor privado do que, obviamente, no público.

Peça a um familiar ou amigo que o acompanhe. Quando não o pode fazer, é importante ter alguém que zele por si e fale com os profissionais, de preferência alguém com conhecimentos ou experiência na área da saúde. Lembre-se que isso não lhe dá direito de ser inoportuno ou perturbar o trabalho dos profissionais. «Também precisamos de tempo para tratar os doentes», diz José Fragata.

Antes de uma cirurgia, certifique-se de que o cirurgião sabe exatamente qual é o seu caso, a área a operar. O conselho é da American Academy of Medical Physicians (AAMP). Tentando não ferir suscetibilidades, «pode dizer, enquanto ainda estiver acordado, não se esqueçam que eu sofro desta patologia e deste lado», sugere José Fragata. No entanto, «os doentes quando vão para o bloco devem ir com o local da cirurgia marcado com tinta própria. Isso, hoje em dia, é uma das verificações obrigatórias do chamado checklist cirúrgico», refere ainda.

Assegure-se que os profissionais de saúde que contactam diretamente consigo lavaram as mãos. Este é outro conselho da AAMP, mas segundo José Fragata, embora seja «perfeitamente razoável» que um doente confira com o profissional de saúde que o fez, deve procurar uma forma delicada de colocar a questão, já que ainda «não estamos neste nível de cultura de segurança e os médicos provavelmente iriam receber isso menos bem».

Lavar as mãos «é a medida que, segundo a Organização Mundial de Saúde, de forma isolada mais combateria a infeção hospitalar», acrescenta o médico.

Elimine possíveis focos de infeção. Objetos como flores e joias estão interditos da generalidade dos quartos de hospital por promoverem a presença de bactérias. Quanto ao comando da televisão, deve certificar-se de que o limpam antes de o usar, recomenda o site do famoso Dr. Oz. Como medida de controlo de infeção, qualquer médico deve desinfetar o estetoscópio antes de auscultar cada paciente e qualquer profissional de saúde deve usar máscara perante sintomas inesperados como tosse, espirros ou pingo no nariz.

Quando tiver alta, peça ao médico que lhe explique o plano de tratamento A investigação sugere que, ao dar alta, os médicos assumem que os pacientes já sabem o que podem ou não fazer em casa, o que muitas vezes não acontece, alerta a Agency for Healthcare Research and Quality. Fique a par dos medicamentos a tomar, se interferem ou não com os que já toma e quando pode retomar as atividades do dia a dia.

Perguntas que deve fazer ao médico

«É verdade que não é muito fácil com dez minutos de consulta, mas os doentes têm que estar vigilantes e fazer perguntas», aconselha José Fragata. Estas são as questões que deve colocar:
- Qual a ação do medicamento?
- Como devo tomá-lo e durante quanto tempo?
- Quais os efeitos secundários?
- O que fazer se eles se verificarem?
- Que alimentos, bebidas ou atividades devo evitar enquanto o tomo?

Deveres do paciente

- Ter uma atitude atenta e inquisitiva. O paciente tem o direito de questionar quem está envolvido no seu tratamento e deve fazer as perguntas necessárias para perceber os seus problemas de saúde e as formas de os tratar.
- Ser fiel ao tratamento. Se um doente não segue as prescrições médicas, o médico tem o direito de não o tratar. Respeite sempre, por isso, as indicações do especialista.

sábado, 5 de novembro de 2011

Debate sobre erro médico

Num debate sobre o erro médico, que teve lugar na sede do Delegação Regional do Oeste da Ordem dos Médicos, nas Caldas da Rainha, os clínicos mostraram-se preocupados com os cortes na saúde e com a possibilidade de haver mais erros devido à pressão que estão a ser sujeitos devido aos objectivos das gestões.

Pedro Coito, presidente da Delegação Regional do Oeste da Ordem, lembrou que “todos os anos morrem nos hospitais portugueses cerca de três mil pessoas devido a erros cometidos pelos profissionais de saúde. Quarenta e cinco por cento ocorrem durante as cirurgias, 20 a 30 por cento são falhas na prescrição de medicamentos”. Para este clínico ao serviço do Centro Hospitalar Oeste Norte, “o erro médico é a ponta do iceberg de uma gestão hospitalar desadequada. Os médicos estão sujeitos a situações de grande pressão, sendo obrigados a tomar decisões de urgência, que mais tarde podem vir a revelar-se erradas”.

Para Pedro Coito, muitos erros decorrem das “restrições económicas e de cortes cegos e insensatos determinados pelo poder político. Temo que haja um agravamento progressivo das condições de trabalho, ou melhor, da falta delas, e do atendimento dos doentes, que podem resultar em danos irreparáveis, comprometendo a idoneidade do Serviço Nacional de Saúde”. “A fronteira do razoável já foi ultrapassada, resvalamos em terrenos perigosos, os erros médicos podem vir a tomar proporções indesejáveis”, disse.

Durante a sessão que teve uma sala cheia e atenta, o primeiro dos convidados a falar foi o imagiologista, Francisco Rita, que considerou que “o erro médico é um tema pesado”. O imagiologista apresentou durante a sessão diversos casos de prescrições que levaram a alguns risos da plateia, por terem sido colegas ou os próprios a passar exames, para dizer também que actualmente um exame TAC tem mais de 600 imagens para serem analisadas e qualquer outro exame tem mais de mil imagens, numa condição diferente do passado e que “provoca cansaço” aos clínicos, que têm de “ver mais doentes, ver mais exames e ver mais análises”. Francisco Rita denunciou que o que se passa no CHON “é altamente problemático, com monitores sem qualidade para ver os exames”, o que pode induzir a um erro médico.

A segunda oradora foi Maria Perpétua Serralha, a anestesista que vincou o stress vivido no bloco operatório e que qualquer erro é uma catástrofe que leva à morte do doente. O orador que mais exemplos deu e mais chamou a atenção para os clínicos presentes foi José Fragata, cirurgião cardio torácico, que lembrou que as quedas nos hospitais “são um problema”. Para o médico, “a melhor coisa que um médico deve fazer é dizer a verdade ao doente”. O último orador foi o advogado João Correia, que apenas defende causas de clínicos, revelando que a sua função é “provar se o médico cumpriu ou não e se é ou não inimputável”, descrevendo que a profissão de médico é de risco. O causídico aconselhou os médicos “a escreverem muito bem tudo e fiscalizarem mais”.

Carlos Barroso (Jornal das Caldas, 03/11/2011)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Como uma simples sinalização pode reduzir erros de medicação em dois terços









Por Steve Harden
Presidente da LifeWings

Anos atrás, fui convidado a ajudar um grande hospital escola a reformular os seus processos de laboratório. O convite foi resultado de um erro terrível que levou a que a equipa do hospital removesse um rim em perfeito estado de um paciente saudável e deixasse um rim canceroso num paciente muito doente. Este foi, infelizmente, apenas o pior erro numa longa série de erros relacionados com o laboratório.

O Problema:
O ponto fraco no seu processo de laboratório era que a cada espécime era atribuído um número de rastreamento que era completamente diferente do número do registo médico do paciente . No final dos processos de laboratório, um único indivíduo num espaço de escritório movimentado, barulhento e caótico tinha de conciliar o número de rastreamento de laboratório com o número do registo médico do paciente - tendo o cuidado de combinar os resultados do laboratório correctos com o paciente correcto.

Ambos os conjuntos de números eram impressos num infindável papel contínuo de computador, numa letra pequena e dificil de ler. Era uma actividade lenta, entediante, trabalhosa, exigindo uma intensa concentração por longos períodos de tempo. Enquanto se realizava este cruzamento de dados, entrava e saia pessoal, o telefone tocava constantemente, criando um permanente ruído de fundo de conversas, ordens, perguntas, e campainhas a tocar. Uma loucura.

Os pilotos que voam longas rotas intercontinentais lidam com o mesmo problema. Têm de programar uma extensa série de letras e números no computador de navegação para garantir que o avião voa o caminho correto para o seu destino. Esta é uma tarefa de segurança crítica pois um erro de navegação pode levar a uma fatal colisão no ar. Enquanto os pilotos estão a introduzir estes dados, é muito fácil distrair-se com o fluxo interminável de visitantes no cockpit. Os comissários de bordo, mecânicos, agentes de rampa, técnicos de abastecimento, e fornecedores do catering, todos parecem precisar de atenção do comandante, quando o seu foco deve estar nessa tarefa crítica.

Para garantir a segurança, muitos comandantes fazem do cockpit uma zona protegida enquanto programam e verificam o sistema de navegação. Nem outras pessoas nem conversas são permitidas. Os pilotos sabem que uma distracção durante esta fase de preparação do cockpit pode ter consequências fatais.

A Solução:
No hospital, partindo das melhores práticas da aviação, nós:
- Isolámos a sala de laboratório para reduzir o tráfego;
- Mudámos os telefones;
- Colocámos por toda a parte sinais brilhantes vermelhos e amarelos a dizer "Zona de Sossego";
- E aplicámos uma política de "comunicações estéreis", o que significa que só as conversas relacionadas com a tarefa a realizar eram permitidas.

Resultados:
Os erros durante o processo cruzamento de dados terminaram da noite para o dia.











Outros hospitais adotaram esta mesma táctica de baixo custo. Na unidade de cuidados intensivos cardíacos do Hospital Pediátrico Egleston de Atlanta, os administradores criaram uma zona tranquila, para evitar distracções  quando as enfermeiras entram com pedidos de medicamentos.

A zona é pouco mais do que um terminal de computador no canto de um quarto, atrás de um sinal cor de laranja no chão que diz "Silêncio... Estamos na MedZone". Esta ferramenta de segurança é decididamente de baixa tecnologia: um lugar calmo onde os enfermeiros podem fazer pedidos de medicamentos sem ser interrompidos, mesmo em situações de emergência. A zona foi criada depois de os administradores terem notado que membros da equipa distraídos estavam a cometer erros perigosos quando encomendavam medicamentos.

O sistema aparentemente simples, construído sobre um princípio usado na aviação, cortou os erros de medicação em dois terços, economizando dinheiro e vidas. Os resultados foram tão impressionantes que o Dr. Donald Berwick, chefe dos Centros para Medicaid e Medicare fez uma visita pessoal a Egleston para ver como foi feito.

E como é a sua unidade? Onde é que erros de distração estão, ou são susceptíveis, de serem feitos? Já considerou a impressão de um simples e barato sinal de implementação de uma zona tranquila? Vai oferecer um grande retorno em segurança sobre o seu pequeno investimento de tempo, esforço e dinheiro.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nurse's suicide highlights twin tragedies of medical errors

Kimberly Hiatt killed herself after overdosing a baby, revealing the anguish of caregivers who make mistakes

By JoNel Aleccia
Health writer
msnbc.com
updated 6/27/2011 8:39:55 AM ET

For registered nurse Kimberly Hiatt, the horror began last Sept. 14, the moment she realized she’d overdosed a fragile baby with 10 times too much medication. Stunned, she told nearby staff at the Cardiac Intensive Care Unit at Seattle Children’s Hospital what had happened. “It was in the line of, ‘Oh my God, I have given too much calcium,’” recalled a fellow nurse, Michelle Asplin, in a statement to state investigators.


Kimberly Hiatt, a longtime critical care nurse at Seattle Children's Hospital, committed suicide in April, seven months after accidentally overdosing a fragile baby.


In Hiatt’s 24-year career, all of it at Seattle Children’s, dispensing 1.4 grams of calcium chloride — instead of the correct dose of 140 milligrams — was the only serious medical mistake she’d ever made, public investigation records show. “She was devastated, just devastated,” said Lyn Hiatt, 49, of Seattle, Kim’s partner and co-parent of their two children, Eli, 18, and Sydney, 16.

That mistake turned out to be the beginning of an unraveled life, contributing not only to the death of the child, 8-month-old Kaia Zautner, but also to Hiatt’s firing, a state nursing commission investigation — and Hiatt's suicide on April 3 at age 50. Hiatt’s dismissal — and her death — raise larger questions about the impact of errors on providers, the so-called “second victims” of medical mistakes. That’s a phrase coined a decade ago by Dr. Albert Wu, a professor of health policy and management at the Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

It’s meant to describe the twin casualties caused by a serious medical mistake: The first victim is the patient, the person hurt or killed by a preventable error — but the second victim is the person who has to live with the aftermath of making it. No question, the patients are the top concern in a nation where 1 in 7 Medicare patients experience serious harm because of medical errors and hospital infections each year, and 180,000 patients die, according to a November 2010 study by the Department of Health and Human Services’ Office of Inspector General.

That’s nearly double the 98,000 deaths attributed to preventable errors in the pivotal 2000 report “To Err is Human,” by the Institute of Medicine, which galvanized the nation's patient safety movement. In reality, though, the doctors, nurses and other medical workers who commit errors are often traumatized as well, with reactions that range from anxiety and sleeping problems to doubt about their professional abilities — and thoughts of suicide, according to two recent studies.

Surgeons who believed they made medical errors were more than three times as likely to have considered suicide as those who didn’t, according to a January survey of more nearly 8,000 participants published in the Archives of Surgery. Even when they don’t think of killing themselves, medical workers who make errors are often shaken to their core, said Amy Waterman, an assistant professor of medicine at Washington University in St. Louis, who studied the issue in a 2007 survey of more than 3,100 practicing doctors in the U.S. and Canada. Ironically, the survey included doctors at Seattle Children’s Hospital. “It really affects their confidence as physicians and it affects their ability in the future,” Waterman said.

Longtime caregiver 

Records show that Hiatt had cared for Kaia Zautner many times since her birth, when the baby with severe heart problems was first brought to Seattle Children’s. She was close to the child’s family, who sought out her care, records show. She was Facebook friends with Alana Zautner, Kaia’s mom, hospital officials said. After the overdose, the child’s parents asked that Hiatt not care directly for their baby, but they did not appear to seek retribution, according to an investigation report by Cathie Rea, the hospital’s director of ICU.

“Very calm and reasonable people — understandably upset, but continued to say they ‘didn’t want us to cut off anyone’s head over this,’” Rea wrote. Reached by msnbc.com, Alana Zautner declined to comment publicly. It’s not clear whether Hiatt’s mistake actually caused the death of the child, who was critically ill. The mistake “exacerbated cardiac dysfunction” in the baby and led to her decline, according to a statement by cardiologist Dr. Harris P. Baden, who cared for Kaia. However, state lawyers said the child’s fragile condition and poor prognosis would have made it difficult to prove legally that the overdose caused her death five days later, records show.

Still, Hiatt was escorted from the hospital after the mistake, immediately put on administrative leave and then fired within weeks. After the incident, Hiatt "was a wreck,” recalled Julie Stenger, 39, of Seattle, a critical care nurse who worked with Hiatt at the hospital. “No one needed to punish Kim. She was doing a good job of that herself.” Officials at Seattle Children’s Hospital declined to discuss specifics about Hiatt’s termination, although they said there is “more behind Kim’s case than can be made public” because of personnel and privacy policies.

They said the hospital has since 2007 followed a so-called “Just Culture” model, which recognizes the need to use errors to identify and correct systemic problems, rather than focusing on penalizing individuals. “The circumstances that led to Kim’s departure from Children’s were tragic on many levels and our heart goes out to the patient’s family and to Kim’s family,” said hospital officials, who responded to msnbc.com only in written statements. “Within Just Culture, staff are not terminated for simple human error.”

Experts in patient safety say terminating an individual worker is rarely the answer to even the worst mistakes, unless they’re the result of repeated, willful flouting of established procedures or intentional harm. It’s far better to identify and address the problems in the system that contributed to the error, said Mary Z. Taylor, director of patient safety at the Washington University School of Medicine in St. Louis.

“To eliminate them is futile; you will make errors,” said Taylor, who recently launched one of the nation’s few peer coaching program aimed at helping providers cope with the aftermath of mistakes. “You may think things are safer if you’ve gotten rid of that person, but that’s not necessarily so,” Taylor said.

The problem is not an isolated issue by any means. Waterman, the Washington University researcher, found that 92 percent of the doctors she surveyed said they’d experienced a near miss, a minor error or a serious error — and 57 percent confessed to a serious mistake. Of those, two-thirds reported anxiety about future errors and half reported decreased job confidence and satisfaction, the study found. Although the survey focused on doctors, researchers said they believed the results could apply broadly to nurses and other health care workers as well.

That’s because medical workers invariably go into the profession to help people. When harm occurs, the providers are haunted by every detail of the mistakes, often for years, said Susan D. Scott, a registered nurse and patient safety director at the University of Missouri Health Care. That hospital is among a handful in the country to have established a formal support system to help providers cope with difficult patient outcomes or errors. There are other options to punitive actions, including education, supervision, reparations to the patient or family — and allowing the person who made the mistake to help craft specific systems to make sure it can't happen again, Scott said.

In some ways, however, those who’ve made mistakes might be even safer than those who haven’t, she added. “If my mom got an insulin overdose from a nurse in a hospital, I would want that nurse to give her that insulin tomorrow,” Scott said.

On the day of Hiatt’s error, she admitted the mistake in a report submitted on the hospital’s electronic feedback system — and vowed not to repeat it. “I messed up,” she wrote. “I’ve been giving CaCI [calcium chloride] for years. I was talking to someone while drawing it up. Miscalculated in my head the correct mls according to the mg/ml. First med error in 25 yrs. of working here. I am simply sick about it. Will be more careful in the future.”

Other factors in the firing? 

There’s some question about whether other factors contributed to Hiatt's firing. Hospital officials said that Hiatt should have recognized that the dose was far too large for such a small child, and that Hiatt violated other dosing protocols. Investigation records show that officials worried that Hiatt didn't fully recognize her role in the error.

"Kim has not shown an understanding of how her deviation from policy in medication administration was in any way responsible for this error," wrote ICU Director Cathie Rea. "Her attention to detail and her precision is not what I would expect it to be at this point in her career." However, investigators also said they had concerns about “Patterns of behavior re: Boundaries, Authority, Relationships.”

A co-worker had filed a sexual harassment claim against Hiatt, who was a lesbian, in 2008, alleging Hiatt acted inappropriately by hugging her and kissing her on the cheek. In a letter, Hiatt denied there was anything sexual about the action, which she said was meant to comfort the co-worker during a tough time, and described the investigation as a “witch hunt.” She said the Human Resources department had a history of discriminating against her because of her sexual orientation with one document dating to 1994.

Seattle Children’s officials denied that Hiatt’s personal life had anything to do with her dismissal. “Our strong support for the diversity of our staff and the community we serve is well-established,” officials wrote. “Kim’s departure from Children’s was unrelated to her sexual orientation.” Records show that Hiatt was stunned to be terminated for what she believed was a single medical error in nearly a quarter-century of service. Investigation records reveal multiple glowing reviews. Just two weeks before the overdose, an Aug. 30, 2010 evaluation identified her as a “leading performer,” earning a mark of 4 on a 5-point scale, records show.

"Kim's nursing practice was incredible," Lyn Hiatt said. "She was smart, she was quick." A storm of media attention followed news of the error, spurring state nursing commission officials to open an investigation into whether Hiatt’s license should be revoked. Ultimately, the agency imposed sanctions instead, including a $3,000 fine, 80 hours of new coursework on medication administration and four years of probation in which any supervisor would be required to report on Hiatt's work every 90 days.

After fighting to keep her license, Hiatt didn’t think she’d find another position in Seattle, family members said. “She said, ‘Who’s going to touch me? I’ve made a mistake,’” said Sharon Crum, 73, Hiatt’s mother and a retired nurse herself. “When she lost this job, it wasn’t just the job she lost, it was her future.”

‘She ran out of coping skills’ 

Faced with the prospect of not working again as a nurse, Hiatt was overcome with despair, family members said. On April 3, a Sunday, Kimberly Hiatt hanged herself in her family’s home, records show. Nearly 500 people, including many nurses, attended her memorial ceremony a week later. “She was in such anguish,” Crum says. “She ran out of coping skills.”

Hiatt’s death has unleashed a storm of reaction from her family, her colleagues — and from fellow nurses. After Hiatt's firing, the Washington State Nurses Association, which represents nurses at Seattle Children's, grieved her dismissal and negotiated a confidential settlement with the hospital on her behalf. Since then, WSNA officials have heard from many nurses worried about making mistakes themselves. “It certainly has heightened that fear factor,” said Sally Watkins, assistant executive director of nursing practice, education and research for the WSNA.

A survey of WSNA nurses in the months after Hiatt’s case became public found that half of respondents believe their mistakes will be held against them personally. Even more worrisome, nearly a third say they would hesitate to report an error or patient safety concern because they’re afraid of retaliation or harsh discipline. "Punitive actions are actually counterproductive. Everything in the literature points to that not being the right step to take,” Watkins said. “Nurses in that unit or hospital will not report things. There’s this heightened awareness: It could be me.” Across the country, patient safety advocates — speaking both generally and about public reports of Hiatt's case — worry that firing providers after they make mistakes leaves patients at greater risk.

Hospital disputes safety experts 

Officials at Seattle Children’s say armchair safety experts don’t know the details of Hiatt’s case. They indicated they changed the way calcium chloride is dispensed in response to Hiatt’s error to make it safer, even though a state investigation found that appropriate safeguards were already in place. They say critics haven't contacted them to ask about procedures for reporting and correcting errors, or for supporting staff when mistakes occur.

For Hiatt’s friends and family, all the debate in the world is useless unless it actually serves to change the circumstances that led to two tragedies: the loss of a fragile baby and the death of a nurse who loved her job. “I promised Kim I’d  do whatever I could to help,” said Stenger, Hiatt's colleague and friend, who said she left her job at Seattle Children’s in part because of how Hiatt was treated. “I thought it was sending the exact wrong message: If you make a mistake, you better keep your mouth shut about it.”

© 2011 msnbc.com

terça-feira, 24 de maio de 2011

Doentes admitidos nos hospitais públicos devem usar pulseira com identificação

24.05.2011 - 11:27 Por Catarina Gomes (Público)

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) quer que seja colocada uma pulseira de identificação aos doentes que dão entrada em hospitais públicos com o seu nome, data de nascimento e número de processo clínico, como forma de evitar erros clínicos.

DGS quer pulseiras nos doentes para evitar erros clínicos (Paulo Pimenta)

Segundo os últimos dados da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), o erro de identificação do paciente está na origem da maior parte dos processos contra hospitais por alegada assistência médica deficiente.

As pulseiras deverão ser aplicadas no caso de doentes que dão entrada nas urgências, que são internados em hospitais e unidades de cuidados continuados de longa duração, em pacientes que vão realizar exames em hospitais, assim como cirurgias que não requerem internamento. Exclui-se o seu uso em doentes crónicos de psiquiatria.

A DGS refere que as falhas associadas à identificação de doentes estão na origem "de erros com medicação, transfusões, realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica e realização de actos a pessoas erradas". Não existem dados sobre erros médicos em Portugal, mas num inquérito realizado pela IGAS, divulgado no ano passado, dos 138 processos abertos contra 37 hospitais públicos (num universo de 56), entre 2005 e 2010, a situação mais referenciada são mesmo os erros de identificação do doente (17), seguidos de erros de processo com informação mal arquivada (16), erros de administração de produto ou dosagem (14), de etiquetagem incorrecta (13), de prescrição indevida (13), incidentes com transfusões sanguíneas (13) e erros na avaliação clínica do doente (11), entre outros.

Perguntar ao doente

O cirurgião José Fragata responde que tem pouco tempo para falar porque está prestes a entrar no bloco operatório para operar a válvula aórtica de um doente. No Hospital de Santa Marta, em Lisboa, onde é director do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, o uso da pulseira nos doentes já existe, mas não basta para prevenir o erro, sublinha, "a pulseira é um mecanismo para que, em qualquer momento, se possa conferir se a prescrição é aquela". O doente que vai operar terá a identificação no pulso, mas faz parte da lista de procedimentos perguntar-lhe, mesmo antes de ser anestesiado, a sua identificação. "É como entrar no avião e apertar o cinto". 

O médico, que é autor do livro Erro em Medicina, defende que é preciso criar regras, sensibilizar profissionais e depois pôr processos em prática. A existência das pulseiras está generalizada nos serviços pediátricos, mas nem todos os hospitais têm esta norma e, diz Fragata, "70 por cento dos erros de saúde são de comunicação", onde se incluem a troca dos doentes ou as trocas de medicação. Segundo os dados da IGAS, as especialidades onde são notificados mais erros são a Cirurgia, seguida da Ortopedia e da Ginecologia e Obstetrícia.

O que a DGS emitiu foi uma orientação que pretende "recordar aos serviços uma prática que pode estar esquecida. Nalguns sítios é prática, noutros não. Estamos a tentar uniformizar procedimentos", diz Alexandre Dinis, do Departamento de Qualidade na Saúde da DGS, notando que não existem dados sobre a sua aplicação. Diz ainda o documento que não se consideram dados de identificação fidedignos o número do quarto ou da cama e que a pulseira "não significa o abandono da identificação verbal".

António Vaz Carneiro, responsável pelo Centro de Investigação de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina de Lisboa, diz que o uso da pulseira "devia ser uma prática generalizada há muito tempo", tal como já acontece nos serviços pediátricos, justificando-se cada vez mais em face de "uma população cada vez mais débil e alterada". Uma das situações onde "é particularmente fácil haver troca de nomes, por haver maior movimento, são as urgências", notando que nas do Hospital de Santa Maria (em Lisboa) já é prática aplicar-se uma etiqueta na roupa ou no pulso.

Não se sabe quantos erros médicos ocorrem em Portugal, mas a DGS quer que, até ao final do ano, esteja no terreno o já muito falado Sistema de Notificação de Eventos Adversos. Trata-se de um programa voluntário em que qualquer profissional de saúde pode notificar um erro de forma anónima. O objectivo "é que o serviço aprenda com o erro", o que significa que no sistema informático nem o notificador nem o doente eventualmente lesado são identificados. "Se não for anónimo ninguém adere. É depois dever da administração fazer com que aquele erro nunca mais volte a acontecer. O objectivo é pedagógico e preventivo", explica Alexandre Dinis. Há unidades que têm sistemas de prevenção de riscos - segundo a IGAS só 15 num universo de 56 hospitais responderam afirmativamente -, mas o objectivo é que seja uma base nacional.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Garcia de Orta: Médica e enfermeira envolvidas em troca de medicamentos acusadas pelo MP

05.05.2011 - 16:35 Por Lusa


O Ministério Público (MP) deduziu acusação contra a médica e contra a técnica de audiologia envolvidas na troca de medicamentos que a 17 de Junho de 2010 afectou duas crianças no hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada.

O caso remonta a 17 de Junho de 2010, quando duas crianças foram afectadas por uma troca de medicamentos (Fábio Teixeira)

De acordo com Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) foram imputados dois crimes às arguidas: o crime de ofensa à integridade física por negligência, que pode, dependendo da gravidade da situação, ser punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias; e o crime de ofensa à integridade física grave, punível com pena de prisão de 2 a 10 anos.

A PGDL informou que o conselho de administração do HGO, as duas arguidas e os pais das crianças não chegaram a acordo sobre a indemnização e que, nesse sentido, “a possibilidade de aplicação da suspensão provisória do processo [saiu] gorada”.

“O MP deduziu acusação contra a médica que administrou o medicamento e [contra] a técnica que preparou a mesa de trabalho para os exames auditivos”, lê-se em nota publicada hoje no site da PGDL.

A mesma nota informa que “foi proferido despacho de arquivamento relativamente a um terceiro arguido, enfermeiro do serviço de Otorrinolaringologia, piso onde os factos ocorreram”,

Contactado pela agência Lusa, o conselho de administração do hospital afirmou que não se pronuncia sobre processos em curso.

O caso remonta a 17 de Junho de 2010, quando duas crianças de três anos e de 18 meses foram afectadas por uma troca de medicamentos enquanto realizavam um exame de diagnóstico no serviço de Otorrinolaringologia do HGO. O acidente provocou queimaduras nos intestinos das duas crianças e também na traqueia e no esófago de uma delas.

Na sequência do acidente, o hospital instaurou um inquérito para apurar responsabilidades.

A 12 de Outubro do ano passado, em conferência de imprensa, a directora clínica do HGO, Ana França, anunciou que a médica e a técnica de audiologia envolvidas na troca de medicamentos seriam punidas com penas de repreensão escrita, que ficariam registadas no cadastro profissional de ambas.

A 28 de Janeiro deste ano o MP anunciou que constituíra e interrogara três arguidos neste caso.

Nesse dia, fonte do gabinete de relações públicas do HGO disse à Lusa que se tinha confirmado, na sequência de um exame, “e como já se previa, que o incidente não provocou danos irreversíveis nas crianças”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dois passos simples para corrigir uma não-conformidade intencional

Por Steve Harden 

No seu trabalho, a maioria das pessoas fazem a maior parte das coisas que deveriam fazer, a maior parte do tempo. Infelizmente, às vezes, mesmo os bons profissionais fazem as coisas mal feitas, ou não as fazem de todo. É nesses momentos que os seus pacientes correm maiores riscos. Supondo que o desempenho errado não foi apenas um erro humano acidental, geralmente há apenas quatro razões para as pessoas não façam aquilo que é suposto fazerem:

1. Não sabem o que é suposto fazer (as expectativas nunca ficaram claras) 
2. Sabem o quê, mas não sabem como (nunca foram devidamente treinados) 
3. Sabem o quê e como, mas não podem fazê-lo (têm limitações físicas ou cognitivas que as impedem de fazer o trabalho) 
4. Sabem o quê, como, e podem fazê-lo - mas optaram por não o fazer. 

Esta última razão que leva as pessoas a não fazerem o que você quer é o que nos traz maior frustração e angústia. Parece tão obstinada e tão desnecessária, mas consome muito do nosso tempo e energia para corrigir. Mas há soluções! O coach de gestão e especialista Ferdinand Fournies conduziu uma pesquisa de quinze anos, envolvendo mais de 20.000 gestores. O seu trabalho revelou que o motivo mais comum para as pessoas optarem por não fazer o trabalho da maneira que você quer que ele seja feito é por não compreenderem o porquê de o terem de fazer assim. Fournies percebeu que nem todos os gestores se davam ao trabalho de explicar a razão de fazer o trabalho de determinada forma, quando da sua formação para fazer uma tarefa ou seguir um processo. 

Eu acho que isso é especialmente verdadeiro na área da saúde onde as pessoas são obrigadas a fazer coisas de uma certa maneira, por razões que são muito claras para os administradores, gestores, responsáveis de segurança e de risco e directores de qualidade, mas não são tão claras para os funcionários. 

Felizmente, a pesquisa Fournies identificou dois simples passos que se podem dar para resolver este tipo de não conformidade intencional. 

Passo 1. Fornecer informações sobre o porquê de uma tarefa, processo ou protocolo ser importante. O PORQUÊ tem quatro partes distintas, e todas as quatro partes devem ser explicitamente explicadas à sua equipa durante o processo de formação. 

  • Forneça uma descrição clara do benefício para a organização e para o paciente de o fazer bem feito; 
  • Forneça uma descrição clara dos danos para a organização e para o paciente de o fazer mal; 
  • Forneça uma descrição detalhada do benefício ao funcionário de o fazer correctamente, bem como ... 
  • Forneça uma descrição das consequências para o funcionário de o fazer de forma errada. 


Passo 2. Quando você quer que as pessoas mudem com o propósito de resolver problemas, melhorando a qualidade ou a segurança, você deve fazer estas cinco coisas no seu processo de formação: 

  • Explique o problema em pormenor; 
  • Explique o objectivo em detalhe; 
  • Discuta detalhadamente os passos específicos da solução; 
  • Explique os benefícios do sucesso (benefício para eles, a organização e os pacientes); 
  • Explique a agonia da derrota (consequências para eles e danos para o paciente); 

Ambos os passos são muito simples, mas muitas vezes negligenciados. Às vezes, a solução mais eficaz é a solução mais simples. 

As pessoas vão fazer as coisas tal como você manda, apenas enquanto as está a observar. Mas você não pode e não deve estar a observá-las o tempo todo. A razão para fazer as coisas de certa forma deve ser suficientemente importante para o seu pessoal, de forma a influenciar as suas decisões de como 
as executar quando o chefe não está a olhar. O seguimento destes dois passos vai ajudá-lo a influenciar as suas escolhas, aumentar o seu cumprimento e a segurança dos seus pacientes.

sábado, 23 de abril de 2011

Erro médico. Indemnizações custaram 26 milhões desde 2008

por Marta F. Reis, Publicado em 09 de Abril de 2011


Relatório da Inspecção de Actividades em Saúde mostra que há mais estabelecimentos hospitalares com processos Os serviços estão mais sensibilizados para o erro médico e reportam mais situações adversas. Um relatório da Inspecção-Geral das Actividades de Saúde publicado esta semana revela que, entre 2008 e o primeiro semestre de 2010, as indemnizações por erros na assistência nos hospitais somaram 26 013 826 milhões de euros. O montante não deve ser ignorado, conclui o documento publicado no site da IGAS. No triénio anterior, 2005-2007, as indemnizações chegaram aos 29 milhões de euros, mas havia dados de mais dois hospitais e de mais 17 processos. Nesse período, 58% estabelecimentos davam conta de ter sido visados em processos, enquanto hoje são 66%, dois terços da amostra. 

A resposta aos inquéritos da IGAS é voluntária. O relatório faz o follow-up do estudo de publicado em 2008 e revela que os hospitais com mais processos com pedido de indemnização são sobre serviços diferenciados da faixa litoral. Mais de 80% dos processos estão concentrados em 19 estabelecimentos hospitalares. Dos 138 processos abertos nos últimos dois anos e meio, a maioria de natureza administrativa, apenas 13 estavam referenciados como decididos em Setembro do ano passado. 

Ainda assim, e comparando os processos com o número de assistências e reclamações nos serviços do Serviço Nacional de Saúde, os casos de má assistência que chegam à justiça são uma minoria: neste período houve 26 processos de natureza cível e sete de natureza criminal, quando só em 2010 os serviços contabilizaram mais de 33 milhões de assistências e um total de 49 197 reclamações, menos 7% do que no ano anterior. 

Erros mais frequentes Problemas na identificação do doente, erros de processo devido a informação mal arquivada, falhas na administração de produtos ou nas dosagens, erros de etiquetagem e prescrição são os problemas mais frequentes. Além destes, 13 hospitais dos 56 que responderam ao inquérito da IGAS reportaram incidentes com transfusões sanguíneas e 11 deram conta de erros na avaliação do estado clínico do doente. Entre as situações adversas mais persistentes surgem, numa análise aos últimos cinco anos, infecções resultantes da assistência médica ou enfermagem, sepsis pós-operatória e punções ou lacerações acidentais. O relatório destaca a recorrência nas especialidades com mais situações de erro ou negligência: ortopedia, cirurgia geral, obstetrícia, ginecologia e medicina interna. 

LACUNAS 

Apesar de sublinhar o aumento da sensibilização nos estabelecimentos para a monitorização da segurança do doente e prevenção do erro médico, o relatório destaca duas áreas onde existem lacunas. A maioria dos hospitais tem sistemas de prevenção do erro à entrada mas apenas 27% tem sistemas de alerta e notificação no decurso de toda a assistência. Do outro lado está a preparação dos profissionais: apenas cinco estabelecimentos têm seguro de responsabilidade profissional que cubram os riscos de assistência profissional. No total de médicos abrangidos neste relatório, 314 não tinham protecção de seguro, matéria que a IGAS entende que deve ser aprofundada. 

Este mês a Direcção-Geral da Saúde anunciou que vai avançar até ao final do ano com o sistema nacional de notificação de incidentes adversos, uma plataforma prevista há dois anos para perceber a dimensão dos incidentes nos serviços de saúde públicos e para planear correcções. Da parte da IGAS, poderão ser desencadeadas acções específicas nos diferentes estabelecimentos com base nos incidentes mais reportados.
© iOnline 2009

quarta-feira, 20 de abril de 2011

DGS cria sistema de notificações de erro médico e observatório da segurança

A Direção-Geral da Saúde (DGS) vai lançar, em Junho, um observatório da segurança do doente e um estudo piloto de um sistema de notificações de "eventos adversos", que permite aos profissionais registar os erros sem recear punições e represálias. A data foi avançada à agência Lusa pela chefe da Divisão de Segurança Clínica da DGS, Cristina Costa, nas vésperas do Dia Europeu da Segurança do Doente, que se assinala hoje (18 de Abril). 

"Não temos neste momento uma cultura de segurança nas unidades de saúde, é preciso criar essa cultura", lamentou a responsável, adiantando que o novo sistema de notificações será disponibilizado a todos os estabelecimentos depois de testado.  "Algumas unidades já têm, o que vamos fazer é estender o que já existe de forma uniforme e estandardizada. É um sistema único, os hospitais podem ser sistemas próprios, mas têm de ter dados que vertam para este sistema nacional", acrescentou. 

Tantos os profissionais como os doentes e os familiares podem registar neste sistema informático os incidentes ou eventos adversos, ou seja, situações em que surgem complicações indesejadas ou inesperadas decorrentes do cuidado prestado aos doentes e não atribuídas à evolução natural da doença de base, mas a falhas humanas. 

As notificações são analisadas por uma equipa que fará anualmente um relatório (disponível ao público) para que se possa aprender com os erros, prevenir os incidentes no futuro e melhorar o clima de segurança. 

"Estes sistemas devem ser voluntários, não punitivos e confidenciais, não há perigo de o profissional ser penalizado por notificar. Não quer dizer que sejam imunes. Alguém que sofra o evento adverso tem direito de ser ressarcido, mas para isso há sistemas próprios", explicou Cristina Costa. 

O observatório de segurança, também resultado de um "desafio" da Organização Mundial de Saúde, será uma plataforma de informação sobre a segurança do doente para ajudar a evitar os erros. Ainda antes do novo sistema de notificações, a DGS vai fazer uma avaliação da cultura de segurança dos hospitais, que será depois monitorizada anualmente. 

Lusa

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Faça com que Saiam Sons das Suas Bocas



Por Steve Harden (Presidente da Lifewings Partners LLC)


Melhore as suas capacidades de levar as pessoas a fazer o que você precisa que elas façam. 

Encontro-me com dirigentes de mais de 30 organizações hospitalares por ano. Onde quer que eu vá, eles dizem-me que os problemas de comunicação são as suas maiores frustrações, ao tentar que as suas equipas melhorem a segurança do paciente.

Estes directores e administradores dizem-me: 

"Eles não escutam." 
"Não há consciência." 
"Eles não entendem a importância do que queremos que façam." 

Estes líderes estão certos. Se você não pode comunicar a sua visão do que deve ser feito, como fazê-lo, e por que deve ser feito dessa maneira, há pouca esperança de que as pessoas façam o que você quer que elas façam. Mas, muitas vezes, o problema de comunicação não é do ouvinte mas de quem fala. 
  
Muitos gestores têm uma incompreensão fundamental da comunicação. Se perguntados, eles dirão: "Comunicação é a transmissão de informação entre pessoas de modo a que seja compreendida". Esta visão está errada e impede as pessoas de compreender e de fazer o que você realmente quer que façam. 
  
Você acha que sabe o que é uma comunicação eficaz? 
  
Uma comunicação eficaz é como uma transmissão de pensamentos: transferir um pensamento que está na sua cabeça para a cabeça de outra pessoa. Porquê? O cérebro pensa seis vezes mais rápido do que a boca pode falar. Portanto, é essencialmente um instrumento reactivo. O ouvido ouve e a mente reage. 

Quer uma prova? Vá até a um seu colega e peça-lhe para dizer a primeira coisa que vem à sua mente quando você diz uma palavra. Se você disser "negro" vão dizer "branco". Se você disser "gordo", ele vai dizer "magro". Se você disser "alto", ele vai dizer "baixo". Na verdade, não importa a palavra que você disser, ele vai sempre associar essa palavra com outra coisa e quase nunca repetir a palavra que você disse. 

Se a comunicação realmente fosse transmissão de informações, quando você dissesse "negro", a outra pessoa diria "negro". Mas a mente é reactiva, e pensa noutra coisa por causa do que você disse. As coisas que você disser agem como um gatilho para criar outros pensamentos na mente da outra pessoa. 

Se você tem uma ideia sobre o cumprimento de um protocolo de segurança que você deseja que surja na cabeça de alguém, você deve dizer algo que fará com que 
ideia concreta para aparecer em sua mente. Quando você falar com membros da equipa e incessantemente tentar corrigir o problema que está a ocorrer, explicando tudo, você não faz ideia de quais os pensamentos que foram transmitidos às suas cabeças.   

Como saber quando eles compreendem. 
  
Você pode falar mais rápido, mais devagar, mais alto, por mais tempo, com mais paixão, ou de forma mais detalhada, mas na realidade NÃO SABE AO CERTO QUE PENSAMENTOS FORAM TRANSMITIDOS PARA AS SUAS CABEÇAS. Se você quiser saber no que os seus cérebros estão a trabalhar, você tem que fazer com que SONS SAIAM DAS SUAS BOCAS. Você tem que pensar em maneiras de dizer o que você quer dizer para que a outra pessoa exprima os pensamentos que você queria transmitir para o seu cérebro. 
  
Isto muda completamente a ênfase de como você comunica. Você falará menos e fará mais perguntas - para que os sons saiam das suas bocas. 

Seguem-se alguns exemplos: 
  
"Sabe-me dizer o que é suposto acontecer nesta situação?" 
"Pode-me descrever, de forma detalhada, como este procedimento deve ser feito?" 
"Porque é importante que este método seja seguido?" 
"Quais são algumas das potenciais consequências quando uma solução é utilizada aqui? " 

Ao comunicar desta maneira, você saberá se o seu staff têm nas suas cabeças os pensamentos que deviam ter para poder fazer o que você quer que eles façam. Experimente e veja se não faz toda a diferença.