sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

1935 - Check-List na Aviação


A 30 de Outubro de 1935, a Força Aérea dos EUA realizou um concurso para a construção da próxima geração de bombardeiros de longo alcance. Não era suposto ser realmente uma competição. Na avaliação inicial, o brilhante Modelo 299 da Boeing em liga de alumínio tinha derrotado os projetos da MD. O avião da Boeing poderia levar cinco vezes mais bombas do que tinha sido exigido, voava mais rápido que os modelos anteriores, e quase duas vezes mais longe. Um jornal tinha-lhe dado o nome de "fortaleza voadora". O concurso era uma uma mera formalidade. Uma pequena multidão maravilhada observava o Boeing 299 enquanto este avançava pela pista. Seguia elegante e imponente, com os seus quatro motores a projectar-se das asas, ao invés dos usuais dois. O avião decolou sem problemas, e subiu acentuadamente a três centenas de pés. Então parou, virou-se sobre uma asa, e caiu numa explosão de fogo. Dois dos cinco membros da tripulação morreram, incluindo o piloto.

A posterior investigação revelou que nada de errado tinha acontecido a nível mecânico. O acidente foi devido a "erro do piloto", disse o relatório. Substancialmente mais complexo que o de aeronaves anteriores, o novo plano exigido ao piloto para assistir aos quatro motores, um trem de aterragem retrátil, novos flaps, uma série de elementos eléctricos que precisavam de ajustes para manter o controle em velocidades diferentes, o controlo hidráulico das hélices que tinha de ser regulado, entre outros recursos. Ao fazer tudo isso, o piloto tinha-se esquecido de desbloquear o novo mecanismo de travagem do leme. O modelo Boeing foi considerado, como um jornal escreveu: "Demasiado avião para um homem pilotar."

A Força Aérea declarou vencedora a MD. A Boeing quase faliu. Ainda assim, a Força Aérea comprou alguns Boeing 299 como aviões de teste, e alguns pilotos continuavam convencidos de que o modelo era fiável. Assim, reuniram-se e pensaram o que fazer. Poderiam ter exigido mais formação, mas era difícil imaginar alguém com mais experiência e conhecimentos que o acidentado piloto. Em vez disso, viraram-se para uma abordagem engenhosamente simples: criaram check-lists de verificação para o piloto. Não uma mas quatro: de decolagem, vôo, aterragem e taxi.

A sua mera existência indicava o quanto a aeronáutica tinha avançado. Nos primeiros anos de vôo, manter uma aeronave no ar podia ser desesperante, mas não era complexo. Usar uma check-list de verificação para a descolagem jamais teria ocorrido a um piloto dessa época. Mas o Boeing 299 era complicado demais para tudo ser deixado à memória de qualquer piloto, por muito experiente que fosse. Com a Check-List nas mãos, os pilotos do 299 fizeram um total de 1,8 milhão de milhas sem qualquer acidente. Voar estes gigantes já era possivel. Finalmente a Força Aérea encomendou quase treze mil destas aeronaves, que na Segunda Guerra Mundial ficaram conhecidas como os B-17, Fortalezas Voadoras.

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